Pós-Modernismo na poesia do Brasil

A conquista do sublime literário pela poética modernista correspondeu à sua progressiva pedagogização, oficialização, daí porque se usa a palavra cânone e a expressão modernismo canônico.

Alto Modernismo - O modernismo viu completada sua dialética na fase canônica do alto modernismo, configurando-se enquanto totalidade. É inerente ao conceito de alto modernismo a noção de que corresponde ao fechamento, momento de completude. Quando já não se pode mais ser completado, diz Derrida do suplemento, a repetição de traços modernistas passa a dar-se num espaço fora, propício a deslocamentos.

1968 definiu o início de um primeiro momento pós-modernista, ainda contracultural, em que se combinavam elementos de vanguardismo e pós-vanguardismo. O pós-modernismo diz mais respeito a um contexto cultural e histórico que propriamente a traços estilísticos.

A tradição da ruptura, que foi a idéia que se estendeu desde o Romantismo, foi chegando a um momento de esclerose. Como diz Octavio Paz (citado por Santiago:2002), ‘a arte moderna começa a perder os poderes de negação (...); a negação deixou de ser criadora’. A estética da ruptura vai chegando ao fim e no ocaso das vanguardas emerge o pós-moderno.

A geração 70 escrevia num coloquial chegado à gíria, como Paulo Leminski, os da geração 90 optaram por um coloquial mais “nobre”.

1980 foi pós-vanguardista, pós-contracultural, intelectualmente marcado pela superação acadêmica de diversos aspectos do estruturalismo e do marxismo.

Os anos 80 foram a década yuppie, que enterrou os valores da contracultura e revalorizou o saber, então empacotável como produto de consumo cultural, pedagógico. Cresceu a preocupação com o caráter funcional e pedagógico das manifestações artísticas.

Destacam-se nos anos 80 Ana , Adélia Prado e Manoel de Barros. A poesia marginal trouxe de volta a questão do sujeito e o valor do subjetivo na poesia. Poesia: discurso da intimidade. Mas a subjetividade pós-moderna já não é a mesma da 1ª metade do século XX. O sujeito pós-moderno existe na moldura da visibilidade total e o sujeito poético é uma projeção desse novo tipo de indivíduo.

Referências Biográficas

  • MORICONI, Italo. Pós-modernismo e volta do sublime na poesia brasileira. In: Poesia hoje. Rio de Janeiro: EdUFF, 1997.
  • SANTIAGO, Silviano. Permanência do discurso da tradição no modernismo brasileiro. In: Nas malhas da letra. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
Barroco na poesia do Brasil (1601 - 1768)
Nas artes em geral, em todo o mundo, no Barroco houve um culto exagerado da forma. Na poesia brasileira isso se viu numa sintaxe rebuscada e no abuso de figuras de linguagem, o que foi questionado pelos poetas do Arcadismo.
Romantismo na poesia do Brasil (1ª metade do séc. XIX)
Na primeira metade do séc. XIX, o "espírito romântico" continuou, após o "espírito revolucionário romântico" inconfidente. Em 1836 Gonçalves de Magalhães publicou o livro de poemas "Suspiros poéticos e saudades".
Pós-Modernismo na poesia do Brasil
A conquista do sublime literário pela poética modernista correspondeu à sua progressiva pedagogização, oficialização, daí porque se usa a palavra cânone e a expressão modernismo canônico.
Modernismo na poesia do Brasil (1922 - 1945)
A Semana de Arte Moderna marcou a data (1922), sem dúvida, do rompimento definitivo com a arte tradicional. Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas quebraram as regras preestabelecidas na cultura.
Quinhentismo na poesia do Brasil (1500 - 1600)
Nos primeiros cem anos do chamado "Descobrimento" a nossa literatura esteve atrelada aos registros históricos e relatórios dirigidos à Coroa Portuguesa: era uma literatura de informação.
Arcadismo na poesia do Brasil (1769 - 1789)
Também chamado de Escola Mineira, o Arcadismo se praticava no Brasil – ainda que sem um academicismo nos moldes da Arcádia Lusitana - por um grupo de intelectuais que incluía os inconfidentes (Movimento político para libertação de Portugal, chamado Conjuração ou Inconfidência Mineira).