Rima

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Rima

É a consonância de palavras ou sílabas dando  ao ouvido uma impressão agradável. “Depara-se-nos uma rima (final) quando, em duas ou mais palavras, a última vogal acentuada, com tudo o que se lhe segue, tem idêntica sonoridade” [Moisés, M., Dicionário de Termos Literários, São Paulo: Brasil, Editora Coltrix, 1974.].

Em geral a  rima é a identidade e/ou semelhança sonora existente entre a palavra final de um verso com a palavra final de outro verso na estrofe, contudo  pode verificar-se também o processo da rima entre o final do verso e palavras que se encontram no interior deste, denominadas neste caso, por: rima interna ou encadeada. A rima era o elemento essencial para que os Clássicos considerassem um texto como sendo uma POESIA. 

A Rima pode ser classificada quanto:

à acentuação tónica (métrica) em:

  1. Agudas, terminados em palavra oxítona (em que a sílaba tónica é a última). Exemplo:
    "onde canta o sabiá" (Gonçalves Dias);
  2. Graves, terminados em palavra paroxítona (em que a sílaba tónica é a penúltima). Exemplo:"Quando junto de mim Teresa dorme" (Álvares de Azevedo) O verso grave é o mais comum na língua portuguesa, uma vez que a maioria das palavras é paroxítona;
  3. Esdrúxulas, terminados em palavra proparoxítona (em que a sílaba tónica é a antepenúltima). Exemplo: "Por entre anémonas, nadadeiras trémulas" (Cecília Meireles);

O verso esdrúxulo é mais raro na poesia de língua portuguesa

à fonética (coincidência sonora das palavras que rimam):

  1. Perfeita ou Soante –  quando há analogia fonética ( correspondência completa de sons): tento / vento – vele / sele;  peso / teso;
  2. Imperfeita ou Toante – Quando não há analogia fonética total (correspondência parcial de sons): âmbar /amar – até /ate - estrela / vela;

à Morfologia ( estrutura e configuração das palavras):

  1. Rica – têm classes gramaticais diferentes: Ex: “Não há machado que corte /a raiz ao pensamento / não há morte para o vento /não há morte ( Carlos de Oliveira);
  2. Pobre – Pertencem à mesma classe gramatical: Ex: Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia / Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia (Ary dos Santos);
  3. Preciosa – palavras quase sem rima: Ex: Minha estrela da tarde / Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde (Ary dos Santos);
  4. Coroadas – As que ocorrem dentro de um mesmo verso. Ex.: “de puros sons quebrados por sons puros” (Joaquim Manuel Magalhães);

à posição na estrofe:

  1. Emparelhadas ou paralelas (A...A...B...B) 
    (A) - “Manuel, tens razão. Venho tarde. Desculpa.
    (A) - Mas não foi Anto, não fui eu quem teve a culpa,
    (B) - Foi Coimbra. Foi esta paisagem triste, triste,
    (b) - A cuja influência a minha alma não resiste. (...)
  2. Cruzadas ou alternadas (A...B...A...B)
    (A) - “Senhora, partem tão tristes
    (B) - meus olhos por vós, meu bem,
    (A) - que nunca tão tristes vistes
    (B) - outros nenhuns por ninguém.”
  3. Opostas, intercaladas ou interpoladas (A...B...B...A)
    (A) - “Busque Amor novas artes, novo engenho
    (B) - para matar-me, e novas esquivanças;
    (B) - que não pode tirar-me as esperanças,
    (A) - que mal me tirará o que não tenho.”
  4. Continuadas: consiste na mesma rima por todo o poema.
    “Já se viam chegados junto à terra
    que desejada já de tantos fora,
    que entre as correntes Índicas se encerra
    e o Ganges, que no céu terreno mora.
    Ora sus, gente forte, que na guerra
    quereis levar a palma vencedora:
    Já sois chegados, já tendes diante
    a terra de riquezas abundante!
  5. Misturadas: as que não seguem uma “esquematização regular”.
    “Os navios existem, e existe o teu rosto
    encostado ao rosto dos navios.
    Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
    partem no vento, regressam nos rios.

    As palavras que te envio são interditas
    até, meu amor, pelo halo das searas
    se alguma regressasse, nem já reconhecia
    o teu nome nas suas curvas claras. “
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