Era tempestade
E perdido vaguei,
Andei por ermos
e terras que já nem sei
Era um outro tempo
Quando o mau-tempo se fez
E toda vez que chove
Eu lembro disso outra vez
Era então tormenta constante
Que durou setembros e maios
E me segurei o quanto pude...
Agarrado num pára-raios !
Desse tempo que vejo distante
Coleciono agora as cicatrizes
Traçando as novas diretrizes
Tento seguir adiante
Usando o passado meio torto
Mostro a quem quer ver: sobrevivi,
Pelo que sinto, não estou morto
Deixo aqui meu depoimento
Se há hoje felicidade,
Antes houve sofrimento
A quem busca um lenitivo
Que tente manter-se vivo
Já que o tempo em si, à razão caminha,
E se o destempero a mente povoa,
É melhor não sair da linha,
Agora não fuja da batalha,
Não vista tão cedo sua mortalha,
Solte seu grito e ouça como ele ecoa.