O REALIZADOR DE SONHOS

 
O REALIZADOR DE SONHOS
Novela motivacional, escrita em linguagem coloquial, portanto, simples de ser lida e entendida. Porém, com a capacidade de mostrar o lado singelo da vida de um vencedor. Zeca nasceu de uma família pobre, e tornou-se rico o suficiente para ser bem-sucedido na vida.

Leia, você vai gostar.

O pontilhão

Aperceba-se caro leitor o poder da ação movido pela fé, e o desejo de vencer na vida.
Debaixo de um modesto pontilhão de madeira, se dá o início de mais uma vida.
Eis o começo de mais uma novela, como tantas outras de seres humanos e suas sagacidades.
Tal qual a semente semeada sobre o estrume curtido, vicejando a mais linda e perfumosa flor.
Nasce José Antonio Varela, “O Realizador de Sonhos”, era assim alcunhada aquela pessoa especial.
Zeca era um simples sonhador que realizava seus sonhos. Zefa, sua mãe, pariu-o já com seus 45 anos de idade, parto complicado, dizia o médico, custeado pela benemerência de Judite, senhora de grandes pendores humanísticos, baseando-se na sua idade madura.
Aquela mulher trabalhava duro, e mesmo grávida nunca pedira arrego, era uma heroína. Zefa alimentava um sonho antigo, ter um filho do sexo masculino, porém, sem fazer imposição sobre um fato que seria uma condição que fugia ao seu grande desejo.
O tempo passava rapidamente, e dona Josefa em busca de realizar o seu grande desejo, amancebava-se com jovens e velhos, quebrando qualquer tabu daqueles tempos idos. Até que numa noite tempestuosa, aconteceu, nascera a criança que deixaria belos e bons exemplos de vida.
Com certeza, Zeca era filho de Totó o: “Andarilho”. Cuja criatura nada se sabia sobre a sua origem, sequer o seu verdadeiro nome. Naquela tenebrosa noite, debaixo daquele macabro pontilhão, ali no barraco de madeira, confeccionado em ripas de caixotes dos verdureiros da redondeza, sendo que, a cidade era próspera na agricultura de hortaliças.
Ocorrera o “estupro” acordado entre as partes delituosas. Até porque Zefa alardeou o feito por pouco tempo, porém, logo reconhecera a sua cumplicidade. Duas pessoas maduras com pouco juízo causaram o aparecimento de Zeca, “O Realizador de Sonhos”, a bem da verdade tinha a alcunha de: O Sonhador.
Totó era muito popular na cidade pela sua maneira despojada de sobreviver. Porém, tinha uns atributos que, colocavam os filósofos do local pensativos a seu respeito, não bebia, não fumava, e sobrevivia estranhamente das sobras das famílias mais abastadas que, por ele tinham grande respeito.
- Por que tanto respeito assim por alguém sem a menor expressividade?Totó era um ser iluminado, e que teve um passado glorioso, do qual falaremos mais à frente, naqueles dias encarnara um personagem bíblico qual se alimentava das migalhas que caíam da mesa de seu senhor. A natureza ajustou aquela situação dando cabo à vida do velho Totó. Fora encontrado morto num matagal das imediações. “morte rápida de cardiopatia aguda”, diagnosticava Josefa.
Zefa, já se apercebera grávida de Totó, e sentia certa cumplicidade em sua vida e morte, buscou orientação com suas patroas, enfim cuidou de toda papelada obituária e, finalmente do sepultamento de Totó. Apesar dos pesares se achava feliz por ter tirado-o da plena indigência na qual vivera por longos anos de sua vida.
Zefa dava um duro danado lavando roupas de suas patroas num trabalho árduo e itinerante, um dia aqui, outro acolá. Seus dedos das mãos eram carcomidos pela potassa do lavandeiro, ou, sabão mesmo. Lutara muito para criar o filho, enquanto muitas vezes o fedelho espiava-a torcendo, enxaguando, e secando as devidas roupas.
Agora já crescido e trabalhando, compadecido ao ver a luta da mãe, o moleque tecia comparações com seus patrões comerciantes bem-sucedidos e que ganhavam infinitamente mais do que sua genitora. O moleque travesso azucrinava a idéia da velha mãe com perguntas intrincadas, fazendo-a pesquisar nos livros que emprestava das suas eruditas patroas.
Ainda não tinham noção do grande tesouro que possuíam dentro do próprio lar. Quintino de França, o velho padrasto de Zeca, combalido pela idade, porém com experiência desmesurada de vida. Seu Tino, um homem além do seu tempo. Como ex-circense de antanho, considerava-se um peso morto na vida de Zefa e Zeca. Fora mágico por quase cinqüenta anos em um famoso circo russo. Andava depressivo, até que lhe ocorreu uma maravilhosa idéia, demonstrar suas habilidades, acompanhada de palavras eloquentes ao jovem Zeca, conjugadas as suas mágicas. O encantamento do garoto foi alucinante. Zefa uniu forças com Tino a fim de dar a educação necessária para que se tornasse o grande realizador de so-nhos...

O Vocacionado

Parecia estar escrito nas estrelas o dom maior de Zeca, realizar seus sonhos, e por osmose, o de outras pessoas. Zeca passava horas aprendendo o ilusionismo com o velho Tino. Após al¬guns anos, Zeca já estava craque, na arte oratória e prestidigitadora, a de manipular.
Após longas horas meditativas, especificamente para sair da pobreza, chegou às seguintes conclusões: inovar, criar, fazer a diferença, acrescentar além da mediocridade... Muitas vezes perguntou ao Tino, pois, se queria prosperar no mundo dos negócios, então onde entraria o ilusionismo de suas mágicas. O velho mágico, na sua sapiência lhe disse enfaticamente que: a mágica seria para atrair as pessoas curiosas pelo mistério do desconhecido, e que no momento da ilusão fazer falar mais alto a arte oratória, e que esta sim, seria o seu caminho para a prosperidade na arte de viver.
Aos doze anos de idade era o melhor engraxate da cidade, não perdendo as menores oportunidades de mostrar seus dotes de comunicador e mágico por excelência.
Zefa e Tino reuniram esforços no elã de estudar e dar o que pudessem ao garoto, Zeca.
A maioria de seus clientes aparecia para engraxar seus sapatos juntamente com seus acompanhantes que, esperavam ver os dotes prodigiosos do garoto, que faziam desaparecer carteiras às vezes recheadas de dinheiro e reaparecer em bolsos de outros clientes. E os fatos deixavam todos boquiabertos. Às vezes após seus ilusionismos, chamava a atenção para assuntos de grandes aconselhamentos, sobre vários temas que diziam respeito à honestidade e equilíbrio emocional, orientado sempre por Tino seu grande conselheiro e padrasto, bom sujeito era aquele.
Zeca era nimbado de um dom excepcional, era hipnólogo inato. Trazia no sangue este dom de aliciar, de liderar, enfim, seus eflúvios extrassensoriais, deixavam marcas profundas nas cabeças de seus assistentes de palcos.
Na principal praça da cidade, onde Zeca dava seus espetáculos, existia um enorme armazém de secos e molhados, representante dos modernos magazines atuais, que futuramente seria um desses: “Shopping Center’s”, herança de Francis aos filhos e netos. Ah... Francis fora a grande alavanca na vida do garoto. Simpatizante contundente das ações e esperteza do Zeca, sendo que cotidianamente analisava suas peripécias, quase não resistindo à curiosidade, volta e meia se dava engraxando seus pisantes com o garoto prodígio. Certo dia, conversando com o Zeca ficou pasmo ao ouvir do garoto, sobre aquilo que mais o fascinava; empreendimento.
Diz-lhe, o garoto:
- Seu Francis, já ouvi muito falar do senhor, e bem por isto, fiz uma pesquisa sobre a sua vida, e confesso a minha admiração pelo seu empreendedorismo, exemplo a ser seguido pelos jovens, assim como eu, que não passo de um mero aprendiz da arte de viver.
O velho matinha-se aparentemente frio e calado, mas, o sábio Tino já havia orientado o enteado sobre a personalidade de grandes negociantes, os quais ele contatara aos negócios circenses de seus velhos tempos de mágicas.
Francis o analisava com grande curiosidade esperando um desfecho daquele colóquio do jovem. Não demorou muito para o velho se encantar com a sagacidade do garoto.
Desculpe-me seu Francis, poderia discorrer sobre velhos e bons tempos, e até sobre a usina de energia elétrica, aqui construída pelo senhor, iluminando e dando vida às cabeças dessa cidade. E, ninguém melhor do que o senhor para confirmar esta minha fala.
Era um assunto antigo e já esquecido da maioria das pessoas ali do local. Os olhos do velho durão marejaram em lágrimas, posto que o assunto lhe trouxesse belas recordações de sua falecida e bela esposa e de seus queridos filhos a correr pelo pomar de frutíferas árvores, hoje convertido em prédios de moradia. Sobrando apenas o forte rio com suas águas poluídas pelo progresso.
Um dia,
O auspicioso e respeitável senhor, emocionado, pensou:
- Onde esse garoto foi buscar essas informações?
E, o jovem continua
- Seu Francis estou lhe aborrecendo com essa minha “conversa mole para boi dormir, não é verdade?”
O velho coçou seu queixo quadrado, e suas largas mandíbulas de descendências européias, e retrucou:
- Zeca estou fazendo o mesmo que você, embora, a mim me seja bem mais cômodo, já que analiso seus doze anos de vida, você faz o mesmo com meus 67 anos.
- Meu jovem, continue...
- O que o senhor acha desta minha idéia?
- Estou pensando seriamente em ampliar minha caixa de engraxar em uma bela tenda confortável para proteger meus clientes das intempéries. Quero colocar à disposição da clientela: café – chocolate – e artigos de conveniências. Algo que faça a diferença, posto que, no mundo dos negócios a diferença faz literalmente a diferença. Assim como a charutaria do Joca.
O assunto inebriava a Francis, fazendo-o sonhar com a sua juventude. Após muito analisar o fedelho, tomou uma decisão inédita: orientá-lo e patrociná-lo. “Marketing” ao garoto não seria problema, posto que o jornal da cidade e a concessão de rádio-difusão eram do próprio Francis. - O que seria do futuro de Zeca, promissor, com certeza.

O convite

Francis convida Zeca a passar uns dias em sua bela fazenda com a finalidade de trocarem idéias, porém, o jovem lhe respondeu:
- Seu Francis, quisera poder aceitar tão nobre convite, mas tenho de trabalhar e cuidar de minha mãe e de meu padrasto, e das minhas aulas escolares.
- Então façamos um acordo, Zeca, como se aproximam as férias de fim de ano, até lá temos tempo para conversar.
– Tá certo mestre Francis, espero aceitar-me como seu modesto discípulo.
O tempo passava, e Zeca meditava em seu sonho maior, progredir, e subir na vida.

Os mestres

Francis era um senhor culto e experiente empreendedor, que trabalhara em vários segmentos da vida mercantil. Agora aposentado, com muita grana aplicada nas casas bancárias daqueles dias, era uma pessoa bastante aquinhoada, rica, podia-se assim dizer. Francis enriquecera com a sabedoria de seus dias áureos de juventude. Ali mesmo na praça onde Zeca despontava com seus “shows”...
Se lhe parecia verdadeiramente, que o Zeca seria uma espécie de réplica de sua personalidade, e isto apesar de assustá-lo o fazia feliz, como que retornando aos seus dias de sucesso e de vistosa juventude. Na realidade via no garoto um filho que não tinha, na exatidão da palavra. Zeca lhe representava algo mais que um filho, que suplantava suas expectativas.

Mais um mestre

Cortês outro senhor muito lúcido, apesar de seus 83 anos de idade, historiador, que sabia tudo sobre a vida local. Cortês o mais admirador discreto do jovem mágico, que notara tal intimidade com Francis e Zeca e seus encontros sistemáticos.
Aproxima-se também do jovem engraxate, e com o decorrer dos dias desanda a narrar fatos de Francis, embora, não possa exprimir sentimentos, aliás, neste particular existiu um sério segredo entre os anciões: Francis e Cortês. Porém, com o decorrer do tempo o segredo fora desvendado. Num certo momento, Cortês se emociona profundamente e faz de tudo para desconversar, posto que, o jovem havia lhe perguntado coisas íntimas de Francis. Zeca teve a devida consciência para se aperceber da situação que os envolveu.
Zeca fora predestinado a ter três grandes mestres nesta vida, Tino, Francis e Cortês.

O Náutilus

Naquele ano fora lançado um clássico do cinema mundial: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, estrelado pelo grande e famoso ator: “Kirk Douglas”. Todos os moradores da cidade foram ver o filme. O cinema era o grande entretenimento daqueles dias.

Do e-livro: O REALIZADOR DE SONHOS de jbcampos

Baixe-o graciosamente em em seus arquivos.

http://escritorcampos.blogspot.com
 

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