Escrevi este soneto para uma tradução desde o italiano para o português da Galiza, dos sonetos de António Vivaldi. Era a coda final.
Sem dúvida nenhuma António Vivaldi foi muito mehor músico do que poeta, mas valia a pena traduzir os seus sonetos introdutivos; dá-los a conhecer à lusofonia toda desde o nosso sutaque galego.
A tradução, junto aos originais, veu a lume no número 54-Verão 1998 de AGÁLIA. Revista Internacional da Associação Galega da Língua, p. 227-229.
O meu soneto diz assim:
A Vivaldi
28 de Julho de 1743
Imagina o doce crego melodias
pianíssimas nos sol-pores dourados
de Caríntia. Acordes compassados
de alada fuga no fugir dos dias.
Tremam duas tristes melancolias
nos claros olhos, velhos e cansados,
— pizzicato dos dias acordados —
e sonha um Piave largo de harmonias.
Declina o sol afagando o retarde
da lembrança e o mofo que perdura.
E ainda fica no lago a luz da tarde.
Estremece-se a vida em partitura
e o mundo entoa, adagio e maestoso,
um canto eterno polo Prete Rosso.
28 de Julho de 1995.
Romeor de Caurel
Para o escultor Raul Rio Diaz
na mais funda lembrança de amizade