Hoje é DIA MUNDIAL DA TERRA, como por aí se diz. Pobre Planeta quem tem só um dia por ano!
A propósito,convido o leitor a visitar o blog Torre de Terra em «http://torredeterra.blogspot.com» e a dar uma vista de olhos pelo meu texto: EU AVISEI.
A composição que aqui deixo, hoje, poderia integrar-se em DEDICATÓRIAS, uma vez que é ao tão falado RIO LEÇA que a dedico. Mas preferi o espaço alusivo à TRISTEZA, porque fico triste sempre que falo de um rio que já não é.
Era uma vez um rio
que corria,
que brincava,
que sorria.
Ao longo das suas margens
cheias de flores silvestres,
abelhas e joaninhas,
e no correr do seu leito
feliz germinava a Vida.
Até o vento o beijava,
e a passarada, contente,
ao som do vento cantava
para as enguias dormirem,
para os peixinhos sonharem
sob as águas cristalinas
onde repousava amor
e a juventude banhava
alegrias de viver.
E era uma vez um rio...
E os poetas, ao vê-lo,
mil versos lhe ofereciam.
Os pintores apreendiam
a luz do seu colorido,
as paisagens renasciam
em telas de muitos tons
que davam beleza ao mundo.
... ... ... ...
Mas o homem evoluiu,
a juventude mudou
e a Natureza sentiu
que o progresso chegou.
E o rio que corria
em charcos veio a ficar.
E o rio que sorria
passou a vida a chorar,
até que um dia morreu.
E a Vida que mantinha
com ele desapareceu.
Nem enguia nem tainha
jamais por ali se viu.
E o vento que agora passa
por ele até já sentiu
o cheiro que o traspassa.
E de tão agoniado
leva o cheiro a todo o lado.
E os campos que já regou?
Nem sapos se vêm por lá.
A passarada, voou...
Poesia já não há.
E era uma vez um rio...
Hoje é só poluição,
vala comum, o monturo
onde escorre podridão
lentamente, até ao mar.
Sinal dos tempos que vão
em direcção ao futuro
onde tudo há-de acabar.
Fevereiro de 1993, in Sérgio O. Sá, "Do Diário de um Marginal"