Ao Mestre Cesariny De Vasconcelos

 
Ao Mestre Cesariny De Vasconcelos
O surrealista...

O surrealismo e o surrealista...

Que congregação do caraças
Que vive de lucidez volátil,
Com a carcaça flageda,
com a raiva de espírito imbele
à tona dum mar às alturas esticado.

Sobe o surrealista
atráves de subliminar surrealismo,
Oh Cesariny! Oh Lisboa!
O que vos deu enfim,
Para virem depois contar
que as palavras são meros meneios
De bocas e mãos linares
sob um conjunto de linhas de racíocinio.

Que raio de opalescência esta,
que ainda vive perfuctoriamente...

Uma salva, duas, três, e está o alarido feito! {mospagebreak}{mospagebreak}As mãos da proficuidade

{mospagebreak}{mospagebreak}{mospagebreak}Honrando a brava existência de
{mospagebreak}{mospagebreak}{mospagebreak}Mário Cesariny de Vasconcelos

{mospagebreak}{mospagebreak}I

Ergue-se o juizo,
Abre-se a caixa de pandora,
Mil aventuras fremindo num guizo,
Que o Café mutua-se escora.

Alonga-se a premência
De nova magia,
Turva-se a urgência
E o canto é-nos forma de penedia.

Cabe a utilidade
Nos nossos conformes?
Somos todos uniformes?

Deixem correr o rio em liberdade,
Adquiram forte fulcralidade
Pois somos todos multiformes!

{mospagebreak}{mospagebreak}II

As linhas de meu profícuo
Desembocar são a boceta
Apalacetada de meu conspícuo
Marchar, (isto visto à letra).

A fuligem dá-me sono,
(Ou encanto). Somos penas,
E se o mundo não é mono,
É um largo conjunto de açucenas.

Desculpa-me a aridez,
Não me sei imaturo,
Sei-me apenas palidez...

Somos ilógico bicho prematuro
Que se não quis morgado, marquês,
Quis-se osso puído e duro! ...

{mospagebreak}{mospagebreak}III

Se não fosse ter acontecido a tua existência,
Os pardais serpenteariam amalucados,
O riso maxime do dia seria combalido,
E as tuas polegadas, perenidade de outrora
e além...

Que seria eu sem ti,
que nunca te conheci, mas que já te soube
Dramático,
Penoso como cotovias malogradas
À ponta do desespero.

Desde o meu primeiro dia depois de ti
Houveram reverberações
Logradas em extremidade,
Duma musicalidade
Que vai às mãos edénicas
Da coroação sem coroa capaz,
Mas que rebenta o pináculo
E vem descendo devagarinho
Para te aclamar poeta alto, maior...

Soube que as tuas voltas não foram planeadas.

Soube-te anjo afogueado que se negou à cruz,
Que se recobrou numa larguíssima solidão
Indefinível, escavacando cigarros muitos.

Peno-me...
Não me saberás nunca...
Nada de vindouro me incumbirás,
A não ser que desse estrelar
Imponente concaves maravilha imensa
Para este meu olhar.

Que raio de prosa poética
Te dedico, oh mestre perfeito!
Não existem perspícuas lâmpadas
Alumiantes nesta ressalva inerte.

Peno-me...
Não me saberás nunca, mas eu soube-te um breve pouco.

Nem tu, nem eu, ninguém
Sabe o astral da chavena de café impura
Pegada por gentil mão...
Não fomos nem somos gentis.
Quanto muito, agiotas cuspidores de peçonha chalada,
Onde a palavra se encarece,
E sozinha reproduz gigantesco albergue,
Esplêndido telheiro,
Empolgante movimento,
Que a púrpura lassidão da mão
Se transfigura eficiência intrépida,
Negra utilidade, suja segregação,
Mas inesgotável dissidência
Que sabe ser liberta, justa, útil,
Como este pulso tempestuoso e cegado
Que escreve como se o nosso final crepuscular
Incinera-se uma penumbra abstrusa
E alvitra-s acerca duma rescisão,
Desta fractura que nos une duradouramente existentes,
No mesmo pelouro, noutra comparecida posição vocacional...
 

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