Respondeu-me a própria poesia
Neste dia
A esta angústia menor
Que me mordia a mente
Fiquei um pouco mais consolado
Não de todo aliviado
Porque penso eu e escrevo poesia?
Para calar angústias entranhadas
Estas sensações estranhas
Que me desassossegam o corpo
Por dentro e por fora
E são sopro de coisas etéreas
Há quem fume e beba
Mas tudo isso me causa tão incómoda azia
Que a mim me dá para pensar e escrever poesia
Como muita gente
Certamente
Penso eu e escrevo poesia
Para transformar medos em Coragem
Ódios em Amor
Amarras em Liberdade
Raivas em Tranquilidade
Fracassos em Glória
Mentiras em Verdade
Saudades em Presença
Maldades em Inocência
Indiferenças em Solidariedade
Vícios em Temperança
Fomes de sexo em sublime Paixão
E para aliviar males de coração
E para sufragar os gritos de milhares de irmãos que sofrem e morrem sem que ninguém lhes valha
Isto me cicia a poesia neste dia
Como muita gente
Certamente
Eu penso e escrevo poesia
Para me sentir vivo e livre
Para me saber eterno
Vale de Salgueiro, 5 de Fevereiro de 2008
Henrique Pedro