Canção ao paraíso ido, Luanda...

 
Canção ao paraíso ido, Luanda...
O homem fica quieto com o silêncio da tempestade que se avizinha, O gado magro da seca pede chuva... o capim seco, vai secando as mágoas de Himane - guerreiro forte - olhos fixos.

A grande montanha de Sámuei - paraíso escondido.

Guardado pelos deuses da floresta como relíquia da terra, <br><br>As águas correm tranqüilas sem medo, num deleite amoroso com a terra...

Os bichos nada temem... tudo é paz por aqui.

Fartura de vida, de calma, de canções a Sámuei...

Negra-mãe olha o horizonte de seus sonhos, seus filhos, seu amor...

O peito seco de tanta mágoa, de tanta vida... chora, junto com a chuva tornando a terra fértil para o milho ficar bonito...

O menino pede chuva, a lavra pede chuva, os bois pedem...

- Himane, fica por aqui pra alimentar a terra!

As nuvens pedem que Himane fique para espantar os cazumbis da noite.

A vila precisa do guerreiro, a floresta quer seu braço forte.

O coração do negro faz parte deste chão, desta água, desta canção... a Luanda.
 

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