Muros e Livros

 
Muros e Livros
Este poema foi escrito em 2009. As comemorações na Alemanha unificada trouxeram de volta o estranho sentimento causado em mim pela presença do Muro nas páginas torturantes dos meus livros de história. O Brasil de 1989 deixava para traz o muro da tortura, da ditadura militar e eu derrubava as últimas pedras da minha adolescência. Muros e Livros

Sonhava com a queda.
E o muro ali nos livros dividindo as faces
Criava mundos no meu peito entristecido...

Não era o fato, nem era ao menos a utopia.

Havia um muro
Entre a Berlim dos meus sonhos
E a realidade da minha cidade morta.

1989...1989...1989...
Pedra ante pedra a ruir passados
Choros gritos e sussurros...

As cercas ainda me prendem
Tiros ainda ecoam na minh’alma esfacelada...

A alegria entre as duas Alemanhas
Não é maior que a tristeza que chega
Quando na noite as sirenes tocam.

Ainda há muros por todo o mundo...
Ainda há muros...

Minha cidade se divide
Entre o passado torturante dos meus livros
E a realidade exposta no meu peito.
Carleone Filho










 

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