NOVA LUA-NOVA DE DESTERRO
Eu sei, minha gente,
o vagalhão da diáspora
se impõe inexorável ante vós,
novamente.
Não, eu sei,
agora não é
porque sejais uma criança
que, incautamente, tenha escolhido o caminho incorreto
para se chegar seguramente em casa;
Ou porque sejais despojo do costume
dos prêmios humanos aos vencedores
de uma guerra sem fim definitivo,
a se agravar graças aos nobres sequazes
daquele que inclementemente fora clucificado vivo:
iconoclastas do culto á crédula casta Natureza
e do mais etéreo dos mais etéreos antropocentrismos que habi-
tam a face do nosso Planeta.
Ou, ainda, porque tenhais sido arrancados
do forte e terno abraço
do afago da mais linda flor dentre
aquelas escolhidas para serem da Poesia
inefáveis sortilégios benfazejos do comum cotidiano
da esfera das coisas não anuídas.
Não, eu sei,
agora sois obrigados
a fugirdes, não para um ditoso rincão do vosso nascedouro colo-
nial,
mas sim, ás mais ricas partes do globo, afinal.
Não, eu sei,
vais lá pra eludirdes que a geriatria
transmude aquele viés do mundo em sepulcro.
Vais lá para dardes-lhes um dilúvio contínuo de filhos:
salvardes os vossos intemperançosos e sicários algozes
da auréola malsã que os envolve:
da destruição que de vossa vilania se aproxima.
Vais lá, pra serdes dos novos senhores idosos
nova hoste de velhos cativos, servidores em crisálida metidos.
Eu sei, Eu sei...
Eu sei, Eu sei...
Eu sei, Eu sei...
Eu sei que o trem da História sempre vai e volta: com efeito, impiedosamente, nos detém.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA