Publicado no Portal Galego da Língua da Associação Galega da Língua (veja-se na internete: http://www.pglingua.org/) em Quinta, 24 de Dezembro de 2009.
Deixai-me, bem seja breve,
um pedaço de lembrança
num floco de branca neve
quando eu morrer. Caia leve,
sossegada, quase mansa;
ouça-a eu como descansa
no colo da minha Terra.
E sinta que a selha berra
berrava quando eu criança)
velhas cantigas da serra.
E recender novamente
no deleite da verdura
a nossa fala mais pura
nos lábios da minha gente.
E os risos da rapazada;
e da fonte que escorrega
nesta paisagem calada;
e o curto vó duma pega.
E o fumo duma lareira
sair do turvo das lousas.
Ressentir todas as cousas
tal qual fosse a vez primeira.
Apenas isto requeiro,
só esta ânsia procuro:
dormir sono derradeiro
numa Pátria com futuro.…
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Na manhã mais sonolenta
perceba na terra algente
cair a neve mui lenta...
lenta... lenta... lentamente…
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