Para o poeta e patriota galego Carlos Durão,
que sonha lá em Londres com essa metáfora recendente que um dia há ser Galiza.
Bem que às vezes, sem querê-lo, demos um passo em falso,
nós outros somos um Nós, clamor continuo marchando,
sucessivamente caindo, incansavelmente avançando,
com persistência existindo, resistindo em cada passo.
Alço a minha voz e digo: Há que falar sem reparo
com a face erguida, bem alta, e a ser possível, berrando:
Se somos um povo inteiro quem poderá condenar-nos?
Labregos da Chã singelos, altivos, puros e claros;
peões de bronze de Vigo, trabalhadores fraguados
por agruras de sofreres e por paciências de anos;
canteiros de Ponte-Vedra; pescadores de Rianjo;
pastoras dos altos cimos de olhos esperançados
em amanhãs de lediça e sol-pores amornados;
marinheiros; lavradores; senhores do remo e sacho;
milenar voz que reclama um alvor sempre aguardado.
Com Vós, irmãos, toda a força da liberdade proclamo!
O Seoane envelhecido – ainda não cinquenta anos -
deles trinta bem completos ensopado no mar salgado;
Isolina; Vilarinho; António e tantos, tantos e tantos
por Londres e por Berlim, por Suíça e além Atlântico;
longas rênquias de dor fera, largas fileiras do pranto,
(Pão com sabor a tristura e azedume avolumado,
sépias sombras de lembranças e de prantos ocultados
e toda a saudade às costas dum voltar nunca tornado).
Com Vós, irmãos, toda a força da liberdade proclamo!
….......................................................................................
(Poetas de fino verso, bico fino e povo manso,
sinceramente inimigos, singelamente contrários,
precisais um nada de honra no coração ressicado.
Se o nosso povo prossegue por milhares emigrando,
quando chegue o longo alvor, como há ser o vosso canto?
….......................................................................................
Companheiros na injustiça, há que falar sem reparo,
assim que às vezes, sem querê-lo, demos um passo em falso,
somos Pátria, uma Vontade, todo um Nós que vai medrando.