Faz hoje 35 anos que assisti ao verdadeiro PRIMEIRO DE MAIO em Portugal.
Recordando uma vez mais esse dia único, em que a expressão espontânea de um Povo parecia transformar um velho sonho em realidade, aqui deixo o poema NATAL DE MAIO, elaborado em 1989.
Bem cedo o Sol raiou.
O céu abriu-se transparente e azul.
Nesse dia a Terra, cheia, pesava,
Pesava e vontade.
Era dia de parir, e pariu,
em liberdade!
Natal de Maio!
Bosques de amarelo,
Campos de esperança...
Ruas e praças, ao rubro, vibravam de emoção.
Era a minha Pátria, nua,
- Oh que Nação! -
Cheirando a amor, bebendo alegria.
Natal de Maio: o seu Primeiro Dia!
Qual sonho... essa verdade experimentada!
Agitação serena e fugidia...
A Alma Lusa à solta...
A festa desejada
E a voz que há tanto tempo não se ouvia!
Mas a turba calou-se ao outro dia.
E de um Maio que vivi fica a memória
Desse seu Dia Primeiro
Em que vi meu Portugal Inteiro
O resto não tem glória.
In Sérgio O. Sá, VERSOS NA GUERRA - VERSOS DE PAZ