Dói mais em mim.
Mais dói em mim, do que em vocês, a reprimenda,
que eu sei, veraz e que, a hora, é oportuna.
Mas, mesmo assim, se instala em mim uma contenda
entre o que eu sei e os descaminhos da fortuna.
Que lhes parecem radiosos. Coriscantes.
Prenhes de luz. E a refrescar-lhes as veredas
ventos amigos, conduzindo navegantes
por estes mares de ondas mansas, mas tão tredas.
Ah! Como dói o coração dilacerado,
entre o falar e o não dizer. Tão dividido
que, estremunhado, quer calar-se em desencanto.
Mas me não cabe silenciar e, amargurado,
vou-me aos conselhos e de mim já tão perdido
pago este preço, por amar e amar tanto.
Aécio Kauffmann.