São cinco, são sete, são seis/
Vinho tinto, quem se mete? Vocês?//
O sangue ainda escorre pelo chão/
Foi levado até o matadouro./
Quem? Que pão?/
Não, algo mais caro que o ouro//
O vinho tinto está ficando branco/
Meus motivos, brandos//
O sangue agora está no copo/
Bebido por todos homens/
O corpo já está no solo?/
Não, já cortou as nuvens//
O vinho já virou sangue/
O sangue que era vinho tange.//
Não, não é vinho não/
Sim, o copo é de ouro sim/
Não, a carne não era pão/
Sim, a carne morreu por mim.//
Agora tu dizes tolice/
Muito tu tens é burrice.//
Agora este santo/
Não tem lugar/
Nem sequer um recanto/
Dentro do teu lar//
Já virou sangue e vinho/
Já virou carne e pão/
E tu cortas o fino linho/
Que ainda te segura a mão.//