O cerco aperta...

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O cerco aperta...
Quando nos sentimos apertados e angustiados... As portas fecham-se. O meu sentido de orientação perde-se. Toda a linha do meu pensamento torna-se descontínua e incerta. E o cerco aperta... A escuridão devora o último grão de luz existente. E eu não sei o que pensar. E eu não sei o que fazer. Nada depende de mim. Sou apenas alguém. Alguém envolvido numa louca história da vida sem saber como. As coisas acontecem e avançam sem um olhar meu. E o cerco aperta... O meu espaço de manobra vai-se reduzindo por si mesmo. Perco a noção das coisas. Perco a noção do espaço, a noção do tempo. Perco a noção de mim mesmo. Tudo passa a ter um sentido abstracto e enigmático. E o cerco aperta... Tudo se limita à volta de mim mesmo. Não existe espaço algum para agir, para pensar. Mas algo parece surgir. Algo capaz de iluminar toda aquela escuridão. A noção exacta de todas as coisas espevita. A noção do certo e do errado. A noção do bem e do mal. Enfim, a noção de mim mesmo e da minha real personalidade. Não posso descer o meu olhar para os espaços vazios e mortos. Há que fixar na minha mente que o certo e o errado, o bem e o mal andam sempre juntos. É possível distingui-los mas nunca separá-los. São as duas facetas das duas moedas da vida. Não há que prescindirmos de todos esses conceitos. Eles marcam a filosofia do viver e da própria vida.
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