Gostas de seguir-me a cada movimento.
Amas quando tens o ensejo de te apossar dos meus pensamen-tos.
Excitas-te ao sentir o pulsar hercúleo e edace da tristeza.
Tristeza em que dolorosamente sirvo de alfobre.
Teu alfobre. Tua vivenda!
Tu, sempre a fechares todas as gretas de alacridade Que abro.
Tu, sempre a salpicares meu peito de desventuras, Enxovalhado-o de mágoas, oceano de amarguras.
Tu, sempre a pores limitações em meus ideais, Onirofágico relicário de meus mais caros sonhos.
Tu, sempre a quereres que siga um caudaloso rio soturno.
Tu, sempre a fazeres de mim teu manipanso.
Tu, sempre a rainha magna da possessão.
Tu, sim. És tu mesmo: sicária conseqüência da sonhada
Felicidade vã!
Na verdade, queres me botar na valsa...
Na verdade, me impões a valsa...
Na verdade, me fazes dançar contigo a valsa...
Na verdade, em mim, és a própria valsa.
Enfim, tu, solidão, és a
Minha própria valsa diária