O Mestre e o Rio

 
O Mestre e o Rio
AjAraújo, homenagem ao professor Alfred Lemle, UFRJ, em Abril de 2003.


Assim com um rio que acolhe afluentes, vertentes
e se disponibiliza para refletir o horizonte,
deixa em seu percurso a mostra da sua riacheza...

Assim o mestre que acolhe seus colegas e docentes,
e de forma entusiástica contagia ao corpo discente,
deixa em sua trajetória, marcas de sua grandeza...

Ora, diga-me, pois com quais instrumentos
podereis medir este estado de riacheza?

Se as turbulências das intempéries,
acaso comprometam este espelho de água...

Se as influências de outras correntes,
acaso comprometam sua chegada ao mar...

Ora, diga-me, pois com qual compasso,
régua e esquadro podereis medir esta grandeza?

Se a franqueza dos destemperos,
acaso comprometa este espelho de alma?

Se a estreiteza dos homens te atinja,
acaso comprometam sua chegada ao lar?

Espelho de água em analogia ao espelho de alma,
ser rio e ao mar pertencer e para ele caminhar,
atravessando pântanos, vales, planícies,
construindo cidades, dando vida a vilarejos,
permitindo-se servir, sem se privar de suas fontes.

Espelho de alma em analogia ao espelho de água.
Ser mestre, pertencer à comunidade, ensinar,
planejar, edificar saberes e lançar novos valores.
Abrir-se a novas idéias, sem abrir mão das convicções,
do precioso conhecimento, dos princípios (tão caros),
da ética, de suas vias de incentivo.

Se a riacheza de um rio não pode ser medida
por sua extensão ou profundidade física,
também a grandeza de um homem não pode ser medida
por sua estatura ou idade cronológica.

a esse estado de riacheza que simboliza
a nobreza do espírito do rio

a esse espírito de grandeza que simboliza
a humaneza do estágio que alcança a vida humana

a esse estado de coisas se nos permitimos tocar,
sem prévios julgamentos, ou apanágios

a esse estado de espírito que nos permitimos
enlevar,
com prévios adágios,

Isso nos possibilita entender,
compreender os limites finitos da existência humana

Como nos entusiasma a indagar, a buscar
a infinitude de possibilidades da convivência humana:

que o mestre assim como o rio continue a seguir sua missão
que as lembranças das ações,
idéias e pensamentos continuem
a fomentar a discussão,

que o raciocínio rápido, o andar ágil,
o deslumbramento ante o novo,
o engajamento social continue
a orientar a nossa função,

que suas palavras sejam medidas de um aprendizado,
de um conhecimento que se passa
como quem efetivamente se doa,para a lição,

Missão esta, tua e minha, assumida como nossa,
no "andante continuum" dessa orquestração

Discussão, de um diálogo teu e meu, nosso,
posto na concretude do crescimento da ideação

Função, de educadores e, médicos por profissão,
mas seres humanos por vocação

Lição, de mestres, de colegas, de alunos, de
pacientes, no eterno ciclo de nossa formação...
 

Conteúdos Populares

Arte Poética

Resenha Informativa

Poetas em linha

  • Visitantes: 3
  • Membros: 0
Lusofonia Poética - Portal de poesia lusófona © desde julho de 2007
Política Privacidade | Regras, Termos & Condições de uso