Onde estás oh palavra

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Onde estás oh palavra
Te busco na lavra infinita da linguagem
Para pintar o quadro das ruas nevoentas
Do musseque que clama qualidade de vida Onde estás oh palavra
Sem ti eu não escrevo poesia real
De amargura da dura vida nos becos de lata
Onde candengues desenham cenas de terror

Onde estás oh palavra
Tú és a minha arma de luta meu clamor de angústia
Quero te fazer arte nestes versos amargos
Como assim, não será ainda obra por espôr o terror
das ruas escuras do Kassequel onde a virgem
Viu a petála da sua rosa em bocados no chão violento?

Onde estás oh maldita bendita palavra
Se eu quero compor música barulhenta e cantar
Nos ouvidos dos Castelos para tão somente
Ser voz das árvores que mendigam pão e vida

Apareça oh palavra
E com toque mágico e transcendente no teu ser
Ainda faça o cérebro se alegrar mesmo no horror
Desta vida miserável
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Musseque – periferia, bairro de lata
Candengues – crianças
Kassequel – Bairro periférico da cidade de Luanda - Angola
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