XV

 
XV
poema quinze do meu livro "Onde o vento leva um sonho de carpaças"




Vilalva, branca camélia
prendida do meu relembro.

Ao meu lado, silenciosa,
sinto a sombra de Chão Ledo.

Nesta tarde o sol de outono
veste a nuvens de amarelo.

Vilalva. Ponte dos Novos
encantadora de versos.
Entre salgueiros e púdias
perdeu-se Carminha Preto.

Vilalva. Longa Alameda
onde anda a cantar o tempo
poemas de Mato Viçoso
com um aquele mistério.

Vilalva. Santa Maria.
As duas torres do templo
falando do Guedelhinhas
com estremecido enlevo.

Vilalva, sempre Vilalva
ergueita no teu castelo.
Diz que foi do Antão Garcia
que o busco e que não o vejo!

Vilalva, branca camélia,
tecelã de frio e vento.

Hei ir até Guadalupe
e me sentar no cruzeiro!

Vilalva. Sempre Vilalva,
fendida seda do tempo!


Notas:

Vilalva é uma vila galega capital da comarca da Terra Chã.

Chão Ledo, Carminha Preto, Mato Viçoso, Guedelhinhas, Antão Garcia, foram poetas de Vilalva.
 

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