Poema doze do meu livro "Onde o vento leva um sonho de carpaças"
Se na tarde do verão
pudesse cantar a cantiga
que por séculos pregoas,
calado rio de Parga!
Se nesta tarde pudesse
tecer um verso com água
eterno e novo mil vezes,
bem seguro que calara.
Não haveria poemas
para tão densa palavra.
Rio Parga, noite e dia,
noite e dia, rio Parga.
Rio Parga do silêncio
até se beijar c´o Ladra.
Moinheira de mil rumores,
não queres que ninguém saiba
dos teus amores segredos
por esta terra tão larga.
Tão só o monte que te escuita
trás um sonho de carpaças,
anda a rosnar polo baixo
o segredo das tuas ânsias.
Rio amante do silêncio
com tanta canção na alma.
Nota.- Moinheira: Baile popular galego. Muinheira. (dicionário Estraviz: http://www.estraviz.org)