A bomba

 
A bomba

Com os olhos
Os sorrisos
O pelo
O peito
O porte
A voz
O olhar
O andar
Incendiava tudo por onde passava

Ateava nas mentes
Mil ideias loucas
Sementes das mais insanas loucuras

Mas senti-la perto já era um prazer indizível

Se demasiado próxima
Sentia-se que o seu arfar
O seu hálito
O seu perfume
Eram lume

Que era uma bomba potencial
Pronta a estourar
Em escândalos matrimoniais
Com efeitos colaterais
Na paz social estabelecida

Mas sempre havia alguém
A fim de se imolar na inevitável explosão
Qual bombista suicida
Sem se importar
Que aquela insana paixão
Fosse uma “res pública”


Vale de Salgueiro, sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
Henrique Pedro

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