Não me atento ao encanto dos teus olhos,
A tua beleza eu vejo como o albor,
É estesia, é encanto, não é amor.
Nem quando esmago o pranto que me molha.
Não! Vejo-te como o triste jardineiro
Que em meio ao jardim fica confuso:
Contempla as lindas flores no canteiro,
Mas não guarda uma só para seu uso.
Vejo-te assim, e tanto me estesia,
Que ao cabo eu me envolvo e me torturo
Num sonho de amor e de poesia.
É que ao ver-te os olhos eu sentia
Que a beleza é também uma mistura
De dor, de tristeza e de alegria.