A BELA E O POETA

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A BELA E O POETA









Não me atento ao encanto dos teus olhos,
A tua beleza eu vejo como o albor,
É estesia, é encanto, não é amor.
Nem quando esmago o pranto que me molha.

Não! Vejo-te como o triste jardineiro
Que em meio ao jardim fica confuso:
Contempla as lindas flores no canteiro,
Mas não guarda uma só para seu uso.

Vejo-te assim, e tanto me estesia,
Que ao cabo eu me envolvo e me torturo
Num sonho de amor e de poesia.

É que ao ver-te os olhos eu sentia
Que a beleza é também uma mistura
De dor, de tristeza e de alegria.
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