Memória dum Pintor Desconhecido

 
Memória dum Pintor Desconhecido

Os presos contam os dias

eu as horas

nesta prisão maior onde um olhar ficou boiando

e uma voz um som de passos perseguidos

na sombra perseguindo a segurança

fugidia

Na cidade que amo e a sós comigo

é talvez só futuro ou já saudade

com alma bem nascida entre o fragor de máquinas, cimento e energia

atômica indefeso entre irmãos de cárcere demando

a voz que foge os irmãos que não vejo

o brando olhar que guarda o meu desejo

e só consigo

ver o gomoso arrastar das horas e das horas

tantas horas

à baioneta marcadas por uma sentinela

aos quatro cantos da janela

gradeada

do dia-

a-dia onde não há

mais nada

Que nada são os dias e os anos

para um tão grande amor que vou pintando

com o próprio sangue os meus e teus enganos

que há de nascer que há de florir que há de

e há de e há de

quando?

 

Mário Dionísio 1940

Colado de <http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=7296&titulo=Mem%F3ria+dum+Pintor+Desconhecido>



 

 

Conteúdos Populares

Antologia de Moçambique

Poesia do Brasil

Antologia da Guiné Bissau

Poesia de Portugal

Antologia de São Tomé e P

Teoria Poética

Arte Poética

Poetas em linha

  • Visitantes: 8
  • Membros: 0
Lusofonia Poética - Portal de poesia lusófona © desde julho de 2007
Política Privacidade | Regras, Termos & Condições de uso