Flor de Hiroshima

Pai, me diz qual a cor
Da flor de Hiroshima
Se é encarnada como sangue
Se é pálida como as cinzas
Que, sobre os vales,
Os vulcões despejam
Me diz por quê,
Em torno dela,
O mundo, em dois, divide-se
Pai, eu não sei por quê
As diferenças causam
Tanta dor
Por que o antagonismo dos ideais
Desperta, nos homens,
Um espírito bélico
E, em nome de uma utópica paz,
São incinerados Coréias e Vietnãs
Pai, me diz por quê
Quando o homem olha
O mundo
A partir do espaço
O azul do céu torna-se
Mais compreensível...
Me diz como ruíram
Os fortificados muros de Berlim
E os abstratos muros
Que separam nossos corações
Ainda se mantêm de pé?
Pai, eu não entendo...
Há décadas
Que se apagou a flor de Hiroshima
Mas ainda exala
Seu denso e mortal perfume
Na memória
De uma civilização incrédula
E abismada
Pai, quando veremos
O mundo a partir do céu
E entenderemos o significado
Desse azul?
Será essa a cor
Da flor de Hiroshima?

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