Encontro

Dedicada ao poeta Fernando Pessoa

No “Bar e Café Pessoa” encontrei Fernando.

Ele bebericava numa caneca de porcelana,

lendo “O Corvo”. Puxei uma cadeira da mesa ao lado

e sentei, observando seu porte magro, alheio a tudo em redor. Ali, o mundo e o pensamento eram

somente dele. Sobre a mesa de tampo fino,

repousava uma caixa envolta em papel pardo,

com uma etiqueta da Air Portugal. Ele devia ter

chegado há pouco de lá, talvez para visitar o Reis.

Fiquei observando-o durante longo tempo.

Calmamente, após pousar “O Corvo” sobre a mesa,

ele dirige sua atenção a mim, uma expressão

de desalento no olhar, como a dizer:

- Fui descoberto!

Ouço a voz da garçonete e viro o rosto:

- Sim, traga-me café numa caneca de porcelana.

Volto-me e já não o vejo. Corro até a porta,

perscruto a rua parcamente iluminada.

Não o encontro, ele sumiu definitivamente.

Retorno à mesa onde ele estivera.

A garçonete se aproxima e repete:

- Não temos caneca de porcelana, senhor.

Abro o pacote que, na pressa, ele esquecera.

Há vários livros, entre os quais um de Poe

que me chama a atenção, intitulado

“Histórias Extraordinárias”.

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