Guardo Lembranças

Guardo lembranças
Não assim tão longínquas
Que me esqueça os odores
Dos tempos idos

Lembranças de
Meu pai à volta da mesa
Minha mãe nas voltas da cozinha
Minha irmã brincando com a boneca nova
Eu pontapeando a repetida bola borracha

Desse tempo,
guardo lembranças agridoces:
meu pai silencioso
olhando para um espaço qualquer
a minha mãe resmungando
e nós
minha irmã e eu
alheados do ritual
a fingir que éramos
o que desejavam que fossemos

era uma noite diferente
com pouca ou nenhuma magia
que isso de magia
era para os meninos e meninas
a quem o menino jesus
deixava nos sapatinhos
prendas embrulhadas em papel bonito

Horta, Natal 2010
Manuel C, Amor

ETQ_ACTUAL em 09.08.2012, 2.212 ETQ_ACESSO

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