Poeta atirado aos bicos

Meu amor:

Nem tu percebes ainda o bater
ansioso dos tendões nos afinados
motores bem mainatos passando a ferro
o capim debaixo das obscenas chapas
na maquilhagem embelezando
a escarlate as picadas

 

 

 

E

tua ostra de chamas
cerra-me no seu íman de con-
chá palpitando as mornas pétalas do teu gerânio
um belo coiso de gemidos no tálamo
de capim onde alongamos os nossos
pesadelos em fragmentos
dispersos na mata à ferroada
dos insectos de obuses.

 

Porque
confesso-te, meu amor
não são bem propriamente o que eu desejo
estes pervertidos versos sem rima e sem nada
mas unicamente nacos fixes de um poeta
de carne em sangue no meio deste zôo
atirado aos bichos!

 

José Craveirinha in  Obra Poética. 
Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.  367 p
.

 

ETQ_ACTUAL em 02.08.2012, 2.783 ETQ_ACESSO

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