História da Poesia Angolana - De 1945 até 1959

É na ressaca do terrível período de repressão exercido sobre a imprensa e o associativismo autóctones, durante o regime de Norton de Matos, que emerge a nova geração angolana do pós-guerra, inspirando-se na leitura dos jornais locais do início do século desenvolve « uma nova consciência ligada à terra»  e que lança por volta de 1948,  em Luanda, o mote político-cultural que irá passar à História com o nome de «Vamos Descobrir Angola» que de acordo com Mário de Andrade  «incitava os jovens a descobrir Angola em todos os seus aspectos». 

Grandes nomes da criação de poética angolana como, António Jacinto, Viriato da Cruz e Agostinho Neto emergem neste período, para  num «equilíbrio de linguagem», que irá enriquecer  «a língua da dominação»,  e exprimir «um novo valor ao canto popular” e veicular “a sua mensagem com um conteúdo social”.

Surge uma poesia « moldada nos mesmos quadros estéticos da poesia portuguesa, acompanhando esta na sua evolução e sendo quase sempre poesia de compromisso. O poema angolano quase sempre toma uma posição perante a realidade social. Vemo-lo revoltado, ansioso, rejubilante por contribuir para a construção de uma vida harmoniosa entre os homens”. (Agostinho Neto, 1959)

Em 1951, é publicado o boletim literário angolano Mensagem, sob a responsabilidade do departamento cultural da ANANGOLA onde  «uma grande parte da nova geração literária angolana vai prosseguir a sua caminhada depois dos primeiros passos dados em O Estudante e Padrão, jornais do Liceu de Luanda e do Lubango (...)  fortemente impressionados pelas correntes neo-realistas da literatura, do cinema e da pintura, triunfantes no pós-guerra, e mais tarde não só pela descoberta da negritude que desde 1935 vinha sendo propugnada por Senghor e Césaire, mas também pelo exemplo dos escritores negros norte-americanos, como Richard Wright, Contee Cullen e Langston Hughes, e do Cubano Nicolas Guillén»  (Carlos Ervedosa )

Em 1953, Mário Pinto de Andrade e Francisco José Tenreiro compilam a primeira Antologia de Poesia Negra de Expressão Portuguesa onde são incluídos três poetas angolanos.

A partir de 1954 no âmbito das actividades culturais levadas a cabo na Casa dos Estudantes do Império (CEI) , Carlos Ervedosa, Fernando Costa Andrade, António Tomás Medeiros e Fernando Mourão, levaram a cabo “a publicação de obras de escritores e de poetas originários das colónias portuguesas como Agostinho Neto, Alda Lara, Corsino Fortes, Ernesto Lara Filho, Manuela Margarido, Pepetela, Gabriel Mariano, Noémia de Sousa, Alda Espírito Santo e outros, obras clássicas de Mário António, Luandino Vieira, José Craveirinha, Alexandre Dáskalos e Ovídio Martins (...),

Em 1956, Mário António publica o volume intitulado Poesia, graças ao qual, o jornal O Brado Africano (1952-53) faz sair o primeiro artigo sobre o político e poeta Agostinho Neto.

Em 1957, surge no panorama literário angolano a revista Cultura, que de acordo com António Jacinto, «surge no momento que fecharam as portas da Anangola, um projecto editorial que permitiu o desenvolvimento futuro do nacionalismo».

António Jacinto destaca como grande artífice deste projecto o advogado Eugénio Ferreira, que chega à presidência da Cultura, e que na figura de editor inclui na sua publicação vários textos dos jovens António Cardoso, Henrique Abranches, Henrique Guerra e José Luandino Vieira.

Actualizado em 03.08.2012, 12.844 Acessos

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