Desde finais do séc. XIX até 1930

Destaca a célebre geração 1900, onde se destacam Cordeiro da Mata, Fontes Pereira, Silvério Ferreira, Apolinário Van-Dúnem e Paixão Franco, a geração progenitora do famoso manifesto, escrito a várias mãos, “A voz de Angola clamando no deserto”, que foi um autêntico libelo acusatório e uma vigorosa reacção de uma plêiade de proto-nacionalistas angolanos a um labéu de cariz racista, vindo a público num periódico da época.

A característica eminentemente histórico-social, parece ser uma impressão comum a todos os estudiosos da literatura angolana,

Os autores angolanos estiveram sempre na primeira linha de combate pela libertação e pela dignificação do homem angolano e, o que não é raro, subordinando a produção literária à luta sociopolítica.

Os primeiros registos de produção escrita de um autor natural de Angola remontam ao século XVII. Isto não significa que, já mesmo ante dessa época não houvesse já uma literatura angolana marcadamente tradicional com uma característica determinante: a de ser oral.

De acordo com Carlos Ervedosa, em seu “Roteiro da Literatura Angolana” um dos primeiros escritos da literatura oral, foi feito por Saturnino de Sousa e Oliveira e, Manuel Alves de Castro Francina, um brasileiro e um angolano que, em seu livro, editado em 1864, “Elementos Gramaticais da Língua Nbumdu”, nos oferecem vinte provérbios em kimbundu (língua originária da região de Luanda e do centro e norte de Angola).

A literatura angolana, surge pois de de uma simbiose entre as características internas do país (culturais, sociais, políticas, económicas) e de influências externas. Para Adriano Mixinge, historiador e crítico de arte angolana, a literatura nacional é o “resultado do património das línguas e culturas africanas interligado com a influência [...] e na relação entre o passado e o mundo contemporâneo.

Como acontece com os outros países, a literatura de Angola não nasce por método instintivo. Existem inúmeros antecedentes e precursores a influenciaram o carácter social, cultural e estético da literatura e da poesia, em particular. Logo à partida, não podemos  descurar a tradição da oralidade, factor de grande influência em toda a África, e que será, talvez, um dos antecedentes de maior responsabilidade.

O peso da oralidade exerce-se em muita da obra poética africana, conferindo-lhe uma grande carga de "espiritualismo telúrico".

A literatura escrita angolana contudo é ainda bastante jovem, uma vez que as suas sementes foram lançadas no século XIX, com a criação pelo Governador Pedro Alexandre da Cunha, em 1845, do Boletim Oficial.

Seguidor das funções oficiais para as quais foi criado, desempenhava também as funções de um periódico que, apoiado por uma pequena elite de europeus récem ligados à Colónia, nele passando a ser publicados documentos pastorais, crónicas de viagens de portugueses pelas terras de Angola, estudo e artigos doutrinários colonialistas e alguns fragmentos literários em prosa e poesia[1].

Foi o ponto de partida para o incremento do periodismo em Angola,a partir de onde se sucederam várias publicações a partir de 1845.

O primeiro periódico editado por africanos, “O Hecho de Angola”, data de 1881. Sua aparição abriria caminho para o despertar de novos órgãos daquela que se chamou a imprensa africana, que se caracterizou por conter publicações redigidas ora em kimbundu ora em português. Entre estas, destacam “O Futuro de Angola”, 1882; “O Farol do Povo”, 1883; “O Arauto Africano”, 1889; e “1 Muen’exi”, 1889; “O Desastre”, 1889; e “O Policial Africano”, 1890.

Inicia-se assim uma tradição intervencionista e panfletária de uma imprensa feita por “filhos da terra,” comprometida com a existência social do angolano, intervindo no processo de edificação da consciência e do sentimento nacional.

 Ferreira credita a fundação da poesia angolana a José da Silva Maia Ferreira e seu Espontaneidades de minha alma (1849), embora, hoje, saibamos que textos esparsos de outros autores tenham sido publicados anteriormente; ele se refere, também,  ao  Almanach  de  Lembranças,  que  circulou  entre  1851  a 1932,  como marco fundador, onde muitos residentes nas colónias publicaram suas experiências poéticas.

Em 1889, J. D. Cordeiro da Matta, por muitos considerado “O pai da literatura de Angola,” publica em Lisboa seu livro “Delírios, Versos 1875- 1887”de onde em 1902 a revista Ensaios Literários extrai e publica o poema «Negra!» o primeiro poema em que um africano, assume cantar a mulher africana como «a deusa da formosura», o que é valor a não considerar pequeno.

 Com a proclamação e implantação da República em Portugal, (5 de Outubro de 1910),segue-se em Angola um período, marcado por um jornalismo laudatório da causa africana, de que são marcos, O Angolense, O Direito, A Verdade, O Farol do Povo, O Brado Africano, onde uma plêiade de homens, como Cordeiro da Matta, Tadeu Bastos, Silvério Ferreira, Paixão Franco, Assis Júnior, não só faziam eco “das reivindicações das massas populares da época,” como foram intérpretes “duma consciência cultural em vias de renovação e de lançarem as bases duma nova personalidade angolana”.

Mas este período é igualmente caracterizado, pela atitude repressiva das autoridades coloniais que tomam as mais diversas medidas para limitar as liberdades e reprimir a actividade jornalística e o associativismo dos naturais da terra.

Fontes

 


[1] Nehone, Roderick ,Literatura Angolana: Literatura e Poder Político, http://www.geledes.org.br/literatura-angolana-literatura-e-poder-politico/#gs.nMRl_So Publicado em: 02/08/2011 acedido em 17/11/2016 16:21

 

ETQ_ACTUAL em 09.12.2016, 6.755 ETQ_ACESSO

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