De meados dos anos 40 até 1961

desta nova geração de intelectuais de  Angola, e com o objctivo de amplificar o movimento cultural, iniciado nos anos 40,  nasce, em 1951, o boletim literário angolano Mensagem em cujo primeiro número colaboram, entre outros, Mário António, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Alda Lara, António Jacinto e Mário Pinto de Andrade. 

A Mensagem, irá permitir que «uma grande parte da nova geração literária angolana vai prosseguir a sua caminhada depois dos primeiros passos dados em O Estudante e Padrão, jornais do Liceu de Luanda e do Lubango (...) e marcar assim o início da poesia moderna de Angola

Em 1953, Mário Pinto de Andrade e Francisco José Tenreiro compilam a primeira Antologia de Poesia Negra de Expressão Portuguesa onde são incluídos três poetas angolanos. 
A partir de 1954 no âmbito das actividades culturais levadas a cabo na Casa dos Estudantes do Império (CEI) , Carlos Ervedosa, Fernando Costa Andrade, António Tomás Medeiros e Fernando Mourão, levaram a cabo “a publicação de obras de escritores e de poetas originários das colónias portuguesas como Agostinho Neto, Alda Lara, Corsino Fortes, Ernesto Lara Filho, Manuela Margarido, Pepetela, Gabriel Mariano, Noémia de Sousa, Alda Espírito Santo e outros, obras clássicas de Mário António, Luandino Vieira, José Craveirinha, Alexandre Dáskalos e Ovídio Martins (...),

Em 1956, Mário António publica o volume intitulado Poesia, graças ao qual, o jornal O Brado Africano (1952-53) faz sair o primeiro artigo sobre o político e poeta Agostinho Neto.

Em 1957, « no momento que se fecharam as portas da Anangola,» surge no panorama literário angolano a revista Cultura, um projecto editorial que, para além de permitir «o desenvolvimento futuro do nacionalismo», e prestar suporte à geração com o mesmo nome, - de que se destacam os jovens António Cardoso, Henrique Abranches, Henrique Guerra e José Luandino Vieira,- vai desencadear uma grande mudança na forma de fazer literatura de e para Angola.

A revista Cultura teve, durante a sua existência, duas fases literárias: Cultura I - "mensário de divulgação literária, científica e artística da sociedade cultural de Angola", que apareceu em Angola em 1957, e "Cultura II", que vai de 1957 a 1961, - data em que rebenta a luta armada em Angola - e durante o qual publica 15 números. 
Esta "nova" geração de poetas e escritores prolonga, definitivamente, as linhas iniciadas pela Geração da Mensagem, solidificam determinadas posições político-sociais e inicia um ataque cerrado para pôr fim ao tempo da «voz abafada, da escrita da dissimulação e engano»; surge instantemente, o tom acusatório.

 Os critérios artísticos, não muito rigorosos, reflectiam o desejo, por parte dos editores, de dinamizar uma angolanidade politicamente motivada a esmagar o domínio da cultura importada, não angolana. A grande aposta estaria virada para a reabilitação da tradição oral africana incorporada na sua poesia em língua portuguesa. O que vai permitir que a poesia atinja uma consciência mais profunda do homem angolano, tocando o sensível tema do amor à terra.

 Mas a luta desta geração não se podia cingir a este alerta. Havia que partir para a denúncia aberta de assuntos gerais, de realidades gerais, entrando em força na denúncia da cabal diferença entre o musseque - espaço do africano - e o mundo do asfalto - espaço do branco e escrever sobre a problemática criada nestas realidades: desemprego, prostituição, fome, miúdos abandonados a si próprios, saudades dos tempos passados, amor, etc.

A poesia da Cultura cria como denominador comum a identidade angolana, ou, pelo menos, a procura dessa identidade, o que vai dar, sem margem para dúvidas, «um dos maiores passos para a concretização do sonho tão desejado de reedificar Angola e devolvê-la aos seus filhos.»

 

Fontes:

ETQ_ACTUAL em 25.11.2016, 7.974 ETQ_ACESSO

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